terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O rato e o elefante




Num dia de nevoeiro, um rato muito matreiro
Para a dispensa escapou.
Como não via para diante, não viu um elefante
E contra ele chocou.

O ratinho valentão, gritou com voz de trovão:
- Sai daqui, ó paquiderme.
E o elefante assustadiço, parecia mesmo um caniço
Cheio de treme-treme.

Com pena do grandalhão, o rato estendeu-lhe a mão
Para ficar seu amigo.
E puxou-o pela tromba, empurrou-o numa lomba
Dizendo-lhe: - Vem comigo!

Já com grande amizade, brincaram toda a tarde
Sem terem cansaço ou dores.
E fartos do pêlo cinzento, lembraram-se num pensamento
De se pintarem às cores.

E como deve fazer quem diz
Com lápis de côr, canetas e giz
Pintaram-se das cores do arco-íris

Texto: Miguel Botelho
Ilustração: Isa Silva

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A Raposa


Era uma vez uma raposa,
Que era um bocado vaidosa
E como não era reles
Só usava casacos de peles.

Quando as primas e a irmã
Atacavam o galinheiro
Ela deitava-se de manhã
E dormia o dia inteiro

Como queria andar na linha
Dizia com ar de enfado:
- Eu nunca como galinha
Só gosto de frango assado!

Texto: Miguel Botelho
Ilustração: Isa Silva

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011


Novidades


Hoje o André chegou à sala e contou:

- Ana! A minha mãe, ontem, esteve a ouvir-te na rádio!!

-E a minha também! – disse a Matilde

- E o meu pai! E estava lá a Joana! Fui eu que reconheci as vozes! –disse o Diego.

- E a Vanessa, eu ouvi a Vanessa!! – disse a Madalena

- Estiveram a falar de nós, no Twitter! – disse o Pedro

- A minha avó foi jantar lá a casa e nós explicámos-lhe o que era o Twitter. Ela riu-se e disse que também queria ter uma conta. – disse a Inês.

-Assim pode saber o que fazemos na escola. – disse a Carolina - Vou dizer à minha avó para fazer o mesmo.

- Ana! Tu achas que aquele senhor, o Alvim, o que estava a falar contigo, vem cá à nossa sala? – perguntou o Pedro.

-Ana achas que ele vem contar-nos uma história? – perguntou a Leonor

- Ana, achas que o Alvim sabe histórias? – perguntou o Gonçalo

- Bem, se não souber nós contamos-lhe uma. Uma da nossa casa das Histórias Mágicas... – disse o Lucas

-Oh ,Ana… - E… - Ana!!! - Ana...E…

Foi assim que começou o dia de hoje na #sala3.

Cheio de perguntas!

A Joana diz que é bom fazer perguntas.

Quem tem perguntas anda sempre à procura de respostas!

Quem procura sempre encontra qualquer coisa...

E tudo porque a Ana esteve com a Joana num programa de rádio, na Antena 3, a falar de Filosofia e de histórias e do Twitter e de muitas mais coisas…

Falou da #sala3 que são uns meninos que estão a aprender como se faz para escrever e ler em pedacinhos de 140 caracteres.

E eu estive a ouvir muito orgulhosa de todos vós!

Beijinhos da vossa amiga Bruxinha


PS. Os pais e os professores que queiram saber como foi a conversa à volta do

I Encontro de Filosofia para Crianças e Criatividade

com Joana Sousa e Ana Dominguez.

Podem ouvir aqui:

http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/prova-oral/?m=02&y=2011&d=07

E para saber como vai ser o

I Encontro de Filosofia para Crianças e Criatividade

podem ler aqui:

http://coldjose1.blogspot.com/2011/01/encontro-de-filosofia-para-criancas-e.html

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O Pinguim Godofredo


O pinguim Godofredo é um grande cozinheiro
Na cozinha a fazer sopas, lá passa o dia inteiro

Sempre muito bem vestido na sua casaca preta
Trabalha só por amor, sem ordenado ou gorjeta

Com ovos, farinha e açucar, mexe a massa com cautela
Depois põe as formas no forno e faz bolachas de canela

Como vive num igloo e o fogão está sempre em brasa
Só tem medo o cozinheiro que um dia derreta a casa.

Texto: Miguel Botelho
Ilustração: Isa Silva

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Carta


Leiria, 12 de Janeiro de 2011

Queridos meninos e meninas da #sala3




Ainda se lembram de mim?

É que não escrevo aqui nada desde o ano passado… O que faz já muito tempo!

Mais exactamente doze dias. Uma dúzia de dias. Uma dezena de dias e mais dois. Desde que entrámos em 2011 foi esse o tempo que já passou.

Eu devia estar a escrever uma história para a vossa Casa das Histórias mas estou a escrever uma carta. Uma carta também é uma coisa que se pode escrever…

Para escrever uma carta é preciso ter um papel e uma caneta. Ou papel e um lápis, ou um computador e uma impressora... Mas eu gosto mesmo é de escrever com papel e uma caneta, e com tinta azul!

É fácil. Escreve-se… Escrevem-se, com letras redondinhas, todas as palavras que dizem o que queremos dizer e depois coloca-se o papel escrito dentro de um envelope.

Depois é preciso descer a escada… Eu tenho de descer uma escada para chegar à rua: mais exactamente: tenho de descer 34 degraus, acabei de os contar enquanto subia e dizia para mim mesma o que, ao chegar cá cima, disse ao meu gato:

-Vou escrever uma carta aos meninos da #sala3.

O meu gato que estava a dormir abriu os olhos e mexeu as orelhas.

- Fazes bem. - Disse ele. Voltou a fechar os olhos e continuou a dormir.

Os gatos são muito dorminhocos. E então com este tempo cinzento de chuva-agora-chuva-mais-tarde-muita-chuva-pouca-chuva-chuva-todos-os-dias-de-manhã-e-também-à-tarde-às-vezes-de-noite… Com este tempo só apetece mesmo dormir.

Pois, já perceberam: estou farta de chuva!!

A minha vassoura também está farta de chuva porque não pode voar com este tempo!

Bem, andar a pé também é bom. Mas eu preciso de Sol… Sobretudo porque estou a pensar fazer-vos uma visita… Sim, irei visitar-vos mal chegue o Sol!

Onde é que eu ia?... Ai, ai que já me perdi…

Ah, já sei! Estava a fechar o envelope para colocar o selo para depois descer a escada. Mais uma vez!

Tenho de descer os 34 degraus!

Como já devem ter reparado há o mesmo número de degraus para descer e para subir.

Desço então a escada e vou colocar a carta no marco do correio mais próximo.

Mais logo, ao fim da tarde, virá um senhor, ou uma senhora, buscar a carta e dar a outro senhor, ou outra senhora… E depois de passar por muitas mãos haverá um carteiro, ou uma carteira, que a entregará na vossa escola.

É assim que as coisas funcionam…

Eu subo, mais uma vez 34 degraus… Ufa… E fico aqui sentadinha a ler um livro, enquanto espero que o envelope viaje, chegue à vossa sala, amanhã ou depois.

A Ana há-de abrir o envelope e ler, em voz alta, a carta que começará assim:

Leiria, 12 de Janeiro de 2011

Queridos meninos e meninas da #sala3

E blá,blá, blá....

(…)

Será que eu coloquei beijinhos no fim?

Uma carta nunca fica completa sem uma despedida com muitos beijinhos!

Muitos beijinhos da vossa amiga Bruxinha

Até breve!



quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O ouriço Cacheiro e o esquilo Arnaldo




Era uma vez o ouriço Cacheiro
Que vivia à sombra de um velho castanheiro

Lá em cima na copa, no ramo mais alto
Vivia um esquilo chamado Arnaldo

Eram grandes amigos, e bons companheiros
De manhã iam à escola, à tarde brincavam

Sempre muito catitas, vestiam com estilo
De verde o ouriço, de vermelho o esquilo

Se brincavam às escondidas, como era matreiro
Ninguém encontrava o ouriço Cacheiro

Mas se a brincadeira era jogar à apanhada
O Arnaldo ganhava, sempre aos pulos e saltos

Ao chegar o Natal a professora Aninhas
Pediu aos amigos para trazerem prendinhas

Trocaram os presentes, muito bem embrulhados
Com papéis verdes e vermelhos, e laços dourados

À noite no parque tranquilo,
No velho castanheiro
Dormiam Arnaldo, o esquilo
E o seu amigo, o ouriço Cacheiro


Texto: Miguel Botelho
Ilustração: Isa Silva

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Ano Novo

No mundo da Joaninha as coisas ganham vida.

Uma tenda transforma-se, por vezes, em nave espacial para percorrer as galáxias...

Joaninha sonha um dia poder voar pelos céus de braços abertos! Oferece enormes árvores do jardim à mãe que já é dona de uma grande floresta... Com carrinhos de linhas constrói, na sala, grandes teias de aranha, onde apanha estranhos insectos gigantes...

Hoje na casa da Joaninha andam todos ocupados e contentes com a preparação da festa de fim de ano mas ela está muito aborrecida, não quer mudar de ano! Gosta deste, já o conhece, é seu amigo. Para ela o Ano Velho é um simpático senhor de cabelos brancos e compridos que usa um grande casaco azul cheio de bolsos. Dentro dos bolsos há migalhas do bolo de anos, uma roda partida de skate, a asa de uma borboleta. E muitas outras coisas, que já nem se lembra ter guardado.

Para ela o Ano Novo é um rapaz de cabelo curto e preto sério e de nariz empinado. Não usa casaco. Não tem bolsos. Onde guardarei as minhas coisas? – pensa ela.

O ano velho tem umas calças pintadas com tinta dos seus desenhos. O Ano Novo usa umas calças brancas. Se calhar nem me deixa fazer desenhos para eu não o sujar...

O Ano Velho conhecia os seus pesadelos e ajudava-a a enfrentá-los. O Ano Novo nada sabe desses medos e é bem capaz de se rir deles!

Quando a meia-noite se aproxima e todos muito animados e sorridentes parecem divertir-se mas Joaninha cansada e ensonada enrosca-se no sofá, amuada.

Pelo canto do olho vê o Ano Velho aproximar-se. Não vás embora! – pede. O Ano Velho faz-lhe festas no cabelo e diz-lhe baixinho: Não vou para longe... fico arrumado dentro de ti. Aparecerei sempre que te lembrares dos bons momentos que passámos. Agora dorme... dorme... bons sonhos!... Bons sonhos!...

A meio da noite a Joaninha acorda na casa está tudo em silêncio. Pelos vistos acabaram as comemorações. Já não está no sofá mas no quarto, na sua cama. Ao seu lado, na almofada, estão migalhas de bolo, um pedaço de cordel, um bigode do gato desaparecido. Aos pés da cama o Ano Novo dorme, tapado com um casaco azul cheio de bolsos. Joaninha coloca as coisas num dos bolsos com muito cuidado.

Afinal vai poder continuar a guardar todas aquelas coisas.

E volta a dormir mais descansada

Quando voltou a acordou era quase à hora do almoço. Da cozinha vinha um cheiro bom: a bolo e carne assada. Correu para a televisão para ver os seus desenhos animados enquanto esperava a chegada dos primos. Almoçaram todos juntos, passaram a tarde a fazer corridas de bicicleta e à noite ficaram até tarde a ver filmes, todos amontoados no chão da sala, a comer chocolates.

Só quando chegou à escola e viu no quadro a data de Janeiro se lembrou do Ano Novo. Um ano com um casaco cheio de bolsos para encher... Aparou o lápis e guardou as aparas e junto a elas o cromo repetido do Bernardo.

O Ano Velho costumava ajudá-la na matemática. O Novo não parecia ser muito bom em contas.

- As férias fizeram-te mal! Esqueceste as contas! – disse a professora.

A culpa era dele, do Novo Ano! Ignorante! Tanta coisa que tinha de ensinar-lhe!

Enquanto fazia os seus trabalhos olhava pela janela. Sentado no muro do recreio, lá estava ele a sorrir, o Ano Novo! Tinha cara de ser um pouco parvo, o casaco ficava-lhe um pouco grande… mas sorria para ela. Joaninha acenou-lhe e sorriu também. Haviam de tornar-se bons amigos. Ia com certeza ser um Bom Ano!

- Joaninha! – chama a professora.