segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
domingo, 27 de fevereiro de 2011
As cores da Maria
A mãe da Maria era cor do chocolate, o pai da Maria era cor das amêndoas descascadas.
O leite era da cor das nuvens na Primavera, o gato era da cor do carvão.
A cor da avó? Era igual à cor do arroz de açafrão.
Maria olhava-se no espelho e via-se igual à mãe. A mãe tinha um riso quente da cor do Sol.
Nos livros da Maria toda a gente era cor do leite: a Branca de Neve, a Alice, o Peter Pan... a Cinderela....
A Maria não tinha o rosto branco como a neve, não tinha caracóis loiros, nem olhos azuis como diziam ser os lindos olhos, das lindas crianças das histórias.
O rosto da Maria era castanho como o chocolate, os imensos caracóis do seu cabelo e os seus olhos eram negros como o café. Não seria ela tão bela como a Cinderela?
Uma noite, antes de adormecer, perguntou ao pai.
- Pai, porque são todos brancos os meninos dos meus livros? Porque não são da minha cor, da cor da mãe? Não é uma cor bonita?
- É minha querida, a tua cor é linda e doce. – disse o pai embrulhando-a num abraço.
Nessa noite, Maria adormeceu e teve um sonho... um sonho estranho... cheio de tintas e cores... E de manhã quando acordou tinha os seus livros abertos e espalhados pelo chão do quarto. Algo se passara. O Pinóquio estava azul, o Peter Pan vermelho, a Cinderela amarela... Afinal não tinha sido um sonho? Ou não acordara ainda?
Sonho já não seria porque ouviu o pai dizer lá da cozinha.
- Anda Maria, o pequeno almoço está na mesa!
Mas algo se passara! E ela bem viu uns pingos de tinta no chão da casa, nas escadas do prédio e até no caminho para a escola.... O pai parecia não notar e a Maria não disse nada.
No fim do dia, na sala da Maria, as crianças estavam diferentes. Os pais reclamaram.
- A minha filha está cheia de tinta verde! – disse um
- O meu filho está roxo! – disse outro
- O meu deve ter camadas de várias cores, está negro! – disse uma mãe.
Chamaram a Ana que apareceu com um sorriso doce, cor de caramelo!
Maria, cor de chocolate, ria, ria... Feliz!
Que tal uma festa de Carnaval?
Sílvia Alves
ILustração: Isa Silva
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
O rato e o elefante
Num dia de nevoeiro, um rato muito matreiro
Para a dispensa escapou.
Como não via para diante, não viu um elefante
E contra ele chocou.
O ratinho valentão, gritou com voz de trovão:
- Sai daqui, ó paquiderme.
E o elefante assustadiço, parecia mesmo um caniço
Cheio de treme-treme.
Com pena do grandalhão, o rato estendeu-lhe a mão
Para ficar seu amigo.
E puxou-o pela tromba, empurrou-o numa lomba
Dizendo-lhe: - Vem comigo!
Já com grande amizade, brincaram toda a tarde
Sem terem cansaço ou dores.
E fartos do pêlo cinzento, lembraram-se num pensamento
De se pintarem às cores.
E como deve fazer quem diz
Com lápis de côr, canetas e giz
Pintaram-se das cores do arco-íris
Texto: Miguel Botelho
Ilustração: Isa Silva
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
A Raposa
Era uma vez uma raposa,
Que era um bocado vaidosa
E como não era reles
Só usava casacos de peles.
Quando as primas e a irmã
Atacavam o galinheiro
Ela deitava-se de manhã
E dormia o dia inteiro
Como queria andar na linha
Dizia com ar de enfado:
- Eu nunca como galinha
Só gosto de frango assado!
Texto: Miguel Botelho
Ilustração: Isa Silva
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Novidades
Hoje o André chegou à sala e contou:
- Ana! A minha mãe, ontem, esteve a ouvir-te na rádio!!
-E a minha também! – disse a Matilde
- E o meu pai! E estava lá a Joana! Fui eu que reconheci as vozes! –disse o Diego.
- E a Vanessa, eu ouvi a Vanessa!! – disse a Madalena
- Estiveram a falar de nós, no Twitter! – disse o Pedro
- A minha avó foi jantar lá a casa e nós explicámos-lhe o que era o Twitter. Ela riu-se e disse que também queria ter uma conta. – disse a Inês.
-Assim pode saber o que fazemos na escola. – disse a Carolina - Vou dizer à minha avó para fazer o mesmo.
- Ana! Tu achas que aquele senhor, o Alvim, o que estava a falar contigo, vem cá à nossa sala? – perguntou o Pedro.
-Ana achas que ele vem contar-nos uma história? – perguntou a Leonor
- Ana, achas que o Alvim sabe histórias? – perguntou o Gonçalo
- Bem, se não souber nós contamos-lhe uma. Uma da nossa casa das Histórias Mágicas... – disse o Lucas
-Oh ,Ana… - E… - Ana!!! - Ana...E…
Foi assim que começou o dia de hoje na #sala3.
Cheio de perguntas!
A Joana diz que é bom fazer perguntas.
Quem tem perguntas anda sempre à procura de respostas!
Quem procura sempre encontra qualquer coisa...
E tudo porque a Ana esteve com a Joana num programa de rádio, na Antena 3, a falar de Filosofia e de histórias e do Twitter e de muitas mais coisas…
Falou da #sala3 que são uns meninos que estão a aprender como se faz para escrever e ler em pedacinhos de 140 caracteres.
E eu estive a ouvir muito orgulhosa de todos vós!
Beijinhos da vossa amiga Bruxinha
PS. Os pais e os professores que queiram saber como foi a conversa à volta do
I Encontro de Filosofia para Crianças e Criatividade
com Joana Sousa e Ana Dominguez.
Podem ouvir aqui:
http://ww1.rtp.pt/icmblogs/rtp/prova-oral/?m=02&y=2011&d=07
I Encontro de Filosofia para Crianças e Criatividade
podem ler aqui:
http://coldjose1.blogspot.com/2011/01/encontro-de-filosofia-para-criancas-e.html
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
O Pinguim Godofredo
O pinguim Godofredo é um grande cozinheiro
Na cozinha a fazer sopas, lá passa o dia inteiro
Sempre muito bem vestido na sua casaca preta
Trabalha só por amor, sem ordenado ou gorjeta
Com ovos, farinha e açucar, mexe a massa com cautela
Depois põe as formas no forno e faz bolachas de canela
Como vive num igloo e o fogão está sempre em brasa
Só tem medo o cozinheiro que um dia derreta a casa.
Texto: Miguel Botelho
Ilustração: Isa Silva
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Carta

Leiria, 12 de Janeiro de 2011
Queridos meninos e meninas da #sala3
Ainda se lembram de mim?
É que não escrevo aqui nada desde o ano passado… O que faz já muito tempo!
Mais exactamente doze dias. Uma dúzia de dias. Uma dezena de dias e mais dois. Desde que entrámos em 2011 foi esse o tempo que já passou.
Eu devia estar a escrever uma história para a vossa Casa das Histórias mas estou a escrever uma carta. Uma carta também é uma coisa que se pode escrever…
Para escrever uma carta é preciso ter um papel e uma caneta. Ou papel e um lápis, ou um computador e uma impressora... Mas eu gosto mesmo é de escrever com papel e uma caneta, e com tinta azul!
É fácil. Escreve-se… Escrevem-se, com letras redondinhas, todas as palavras que dizem o que queremos dizer e depois coloca-se o papel escrito dentro de um envelope.
Depois é preciso descer a escada… Eu tenho de descer uma escada para chegar à rua: mais exactamente: tenho de descer 34 degraus, acabei de os contar enquanto subia e dizia para mim mesma o que, ao chegar cá cima, disse ao meu gato:
-Vou escrever uma carta aos meninos da #sala3.
O meu gato que estava a dormir abriu os olhos e mexeu as orelhas.
- Fazes bem. - Disse ele. Voltou a fechar os olhos e continuou a dormir.
Os gatos são muito dorminhocos. E então com este tempo cinzento de chuva-agora-chuva-mais-tarde-muita-chuva-pouca-chuva-chuva-todos-os-dias-de-manhã-e-também-à-tarde-às-vezes-de-noite… Com este tempo só apetece mesmo dormir.
Pois, já perceberam: estou farta de chuva!!
A minha vassoura também está farta de chuva porque não pode voar com este tempo!
Bem, andar a pé também é bom. Mas eu preciso de Sol… Sobretudo porque estou a pensar fazer-vos uma visita… Sim, irei visitar-vos mal chegue o Sol!
Onde é que eu ia?... Ai, ai que já me perdi…
Ah, já sei! Estava a fechar o envelope para colocar o selo para depois descer a escada. Mais uma vez!
Tenho de descer os 34 degraus!
Como já devem ter reparado há o mesmo número de degraus para descer e para subir.
Desço então a escada e vou colocar a carta no marco do correio mais próximo.
Mais logo, ao fim da tarde, virá um senhor, ou uma senhora, buscar a carta e dar a outro senhor, ou outra senhora… E depois de passar por muitas mãos haverá um carteiro, ou uma carteira, que a entregará na vossa escola.
É assim que as coisas funcionam…
Eu subo, mais uma vez 34 degraus… Ufa… E fico aqui sentadinha a ler um livro, enquanto espero que o envelope viaje, chegue à vossa sala, amanhã ou depois.
A Ana há-de abrir o envelope e ler, em voz alta, a carta que começará assim:
Leiria, 12 de Janeiro de 2011
Queridos meninos e meninas da #sala3
E blá,blá, blá....
(…)
Será que eu coloquei beijinhos no fim?
Uma carta nunca fica completa sem uma despedida com muitos beijinhos!
Muitos beijinhos da vossa amiga Bruxinha
Até breve!




